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Leitor, autor, legal, chato, estudioso, relaxado, engraçado, inconveniente, inteligente, lerdo, sentimental, viciado em Harry Potter, semihater de Twilight; algumas características de quem posta aqui nesse pedaço.

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Prólogo: A primeira visão

Meus olhos corriam desesperados por cada centímetro daquele lugar. Eu, e mais outros dez espíritos, estávamos embarcados sobre uma canoa, enquanto um outro ser encapuzado remava funestamente. Era desesperador - torturante. Eu estava sendo direcionado diretamente para um lugar que, quando eu era vivo, jamais acreditei existir. Nunca acreditei que, mesmo após a morte, continuaríamos vivos, sentindo as mesmas sensações. Eu ouvia os outros mortos murmurarem alguma coisa sobre três reinos, três partes, não sei muito bem. Na verdade, nada eu sabia sobre o lugar para que nós estávamos sendo levados. Resultado, talvez, da minha incredulidade.
O senhor encapuzado ancorou ao chegarmos à margem. Ao sairmos do barco, passamos vagarosamente por baixo de um imenso - sim, muito, muito grande - cão de três cabeças. Foi quando chegamos a um lugar que, se o planeta Terra fosse plano, seria o espaço que aquilo ali ocupava. A imensidão ainda assim era devastadora. A infelicidade que era presente na atmosfera era agonizante, o que fez-me sentir mal imediatamente. O senhor encapuzado murmurou algo, que não prestei muita atenção, e voltou ao barco, tornando a remar de volta.
Eu não sabia o que fazer, e nem onde estava. Mas então, ao olhar pra cima, avistei a placa que dizia, com letras em formatos de ossos:


CAMPO DE ASFÓDELOS


Pra falar a verdade, o nome não adiantou muito. Eu não fazia a menor noção do que seria Campo de Asfódelos, mas imaginei que fosse o lugar para onde todos os mortos do mundo iam, pois eu levaria três vidas para contar quantas almas haviam ali, vagueando pela densidade do ar.
Percebi, então, que minha poderosa inteligência quando vivo não me era muito útil ali, no Campo de Asfódelos. Eu nada sabia. As pessoas que vieram no barco comigo pareciam muito mais familiarizadas. Arrependi-me de ter sido tão cego e ignorante para com os outros. Virei-me para uma moça de longos cabelos ruivos e perguntei:
- Aonde estamos, afinal?
Ela pareceu sorrir.
- Aguardando pelo Julgamento, senhor.
- Que julgamento?
- Para saber se nossas almas estão condenados aos Asfódelos, aos Elísios ou ao Campo de Punição.
- Como assim? Isso não existe, moça...!
Ela pareceu sorrir novamente, desta vez desdenhosa, e parou de me responder.
Mas eu sabia que eu agora acreditava. Isso
existia. E eu estava realmente ali, morto, esperando para ser julgado em um mundo que eu não conhecia.

Category: 3 comentários

3 comentários:

Ninha Luiza disse...

Eu já disse q parece q Newton é q narra?! Oo'

Heliene disse...

*--* gosteii

Higor Cavalcanti disse...

Vi que o blog é antigo.. Você pretende escrever mais? Tem talento garoto, gostaria de ler mais algumas historias...

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